É um título estranho, eu sei! Mas quero que pareça assim. Dá ritmo fonético!
Mais que isso, que se perceba o que realmente significa, para cada um de nós.
Sábado, no Porto Santo, estava um dia cinzento, chuvoso, lá de vez em quando, o sol tímido e hesitante espreitava por meros momentos. Quase que parecia um puto a brincar às escondidas, e assim que eu ia pôr mãos-à-obra, aparecia para assustar-nos com umas chuvadas bem inconvenientes.
Atchuummmmm! Bem que eu fiz algumas vezes.
Durante a noite, descobri que eu era doce. Deitei-me na cama e as malvadas formigas não me largavam. Fui dormir para o sofá, e lá vieram todas de abalada, qual orgia desmesurada, para me chagarem a "cornualha" enquanto tentava dormir.
No Domingo, foi ao contrário, o sol era bem ordinário e só queria escaldar-nos a pele, e sim apanhei um vermelhão daqueles feito camacheira com as bochechas avermelhadas.
Parece que hoje, foi para ser alternativo, o dia começou-me bem cinzentinho e ainda não consegui clareá-lo. Meteorologicamente falando, não há defeitos a apontar a estes últimos dias solarengos. Mas de facto o que me acinzentou o dia foi a notícia de minha mãe esta manhã:
"Dona Teresa morreu ontem à tarde". Custou tanto ouvir isto. Embora aquela mulherzinha sem significado para mim (não desprestigiando) que só dizia bom dia, ou boa tarde, acabou por ser preponderante nestes últimos dias, desde o dia do seu acidente até sete dias após o sucedido. Comecei a pensar em tanta coisa, mas resumindo, na vida. Um dia estás bem com uma força inabalável, no outro, alguém ou algo, desgraça-nos a vida por completo!!
E nem me venham falar no destino, bolas!
Outra que não suporto ouvir: "Chegou a sua hora"
Humm, não vejo a hora que chegue a minha vez, pode ser que tenha a mesma sorte e fique espezinhado por uma catrapilha, com dores terríveis que até desmaie. Pode ser que sobreviva e passe a ser um autêntico inergúmero, porque por azar, afinal a hora não era esta!
Uma das pessoas que mais me fala dessa forma é minha mãe "Nosso Senhor assim o quiz". Credo, como é possível alguém mexer os cordelinhos lá em cima e decidir que tic-tac, tá na hora, bora esmagá-la com um carro do lixo em cima dela! Pô-la a sofrer por uma semana, se calhar por causa do fuso da hora!
Sei que estou a entrar por caminhos muito sensíveis, mas é o que eu penso, é como me sinto, é como me exprimo!!
É o célebre tema: Como é possível alguém vir para este mundo, só para sofrer? Ou terminar de uma forma tão estúpida!?
Mas isto dá muito pano p'a mangas!
E como não me apetece agora tricotar nada, resta-me desabafar que realmente devemos viver a vida, da melhor forma, que cada um achar que deve viver. Sem pensar no que os outros vão dizer, agir, julgar. Qualquer dia sai-se à rua e zás, o tal destino prega-nos a partida e não há retorno.
O que passou, já era. É mesmo o tal live life com todos os acessórios!
O que me custou a aceitar na partida da D. Teresa, foi o facto de, o valor que lhe estou a dar agora, deveria ter dado, enquanto estava presente. Dizer bom dia, e desenvolver para um, como tem passado, e o zé, e tal... Aí é que está. Só damos realmente valor quando a pessoa não está, definitivamente! Aí está errado, é dar valor, quando ela está. Só faz falta, quem está!!
E as pessoas que eu estimo, tento (e aqui as pessoas mais "próximas" de mim, assim o comprovam) dizer sempre o que sinto! Quero que elas saibam isso, elas têm esse direito. Se eu tenho saudades, eu digo que sinto a falta. Se eu gosto de ti, comprovo isso mesmo. E muito mais coisas...
Não quero pensar um dia, na tal partida de alguém muito chegado, ter uma data de questões e se...e se...e se...!!
O mínimo de ses possíveis, por favor!
Se tiver muitos, maior será a frustração.
Essas dedicatórias a título póstumo nem deveriam existir. Aliás, até poderiam existir, mas primeiro, o seu reconhecimento em vida!
Daí que tento agir de uma forma muito peculiar...a minha forma. Sempre que achar que deva te dizer que és querido/a, dir-te-ei. Se mereces um beijo, dar-te-ei. Se estiveres gira/o, também o digo sem rodeios. Quem não gosta de ser reconhecido? Pode ser o suficiente para aclarear o dia a alguém.
O vídeo que coloco em baixo (obrigado drinho, pelo link) é deveras conhecido. Podem até não gostar do ritmo, da música em si. Mas então pelo menos, leiam as legendas. Não me arranjem desculpas que não percebem inglês, está lá com as letrinhas para "ensina-burros"!!
Se quiserem e até aconselho, sempre que aparecer uma frase, façam "pause" e ponham a mão na consciência e vejam se já fizeram isso.
Só sei que gostava de ter encontrado a D. Teresa, por uma só vez mais e perguntar-lhe:
"Bom dia D. Teresa, está tudo bem?"...e desta vez aguardar pela resposta...